Sonya Azevedo
Essência em versos e prosas
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   A Roda
(Sonya Azevedo)
 
 
Mamãe, te prometo não chorar,
Da tua mão, não mais largar.
Olha, vem cá, bem junto comigo,
 E com Deus encontraremos abrigo.
 
Não me deixes sozinho nesta roda...
Esta roda não é pros filhos de Deus,
É do enjeitado que aqui se acomoda,
E eu, do coração, amor e ventre, sou teu.
 
Esta é uma roda que não torna passado,
É dor, medo, desamparo e desesperança,
Teu erro, com amor, pode ser apagado,
Mas eu aqui, nesta roda, sou chança.
 
Não me voltes às costas, dá-me tua mão,
É pouco o que te pede meu coração,
É carinho, amor, risos e atenção,
É somente isto, da mi’ alma, a refeição.
 
 
 
 
 
Em 23/04/2012



 
 
A roda dos enjeitados foi uma prática utilizada na França
por volta do ano de 1188 d.C. e depois adotada por outros países,
o Brasil inclusive, com vistas à proteção dos pequenos abandonados.
Assim, os frutos indesejados de romances obscuros,
 eram colocados na Roda dos Enjeitados ou Expostos,
que pelo seu formato fazia-se desconhecido os laços sanguíneos 
e, aí, eram criados pelas Santa Casa de Misericórdia
e posteriormente iam à Casa Pia estudar e adaptar-se à nova adoção. Esta prática perdeu força em meados do século passado.

Hoje, na Itália, tendo em vista o crescente número de menores abandonados pelos imigrantes, retornou-se à Roda, como meio de devolver a cidadania e dignidade, amena, mas bem menos degradante que o enjeito e abandono pelo ventre que o gerou.
 
 
 
 
 
Sonya Azevedo
Enviado por Sonya Azevedo em 23/04/2012
Alterado em 09/01/2017
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